Me trouxe suas linhas
(tão finas, coloridas e fortes)
Me indicou caminhos,
ensinou pontos,
me deu fazenda:
Mas eu?
Não aprendi a bordar.
Li sua imagem,
Guardei em mim seus traços,
caretas e sorrisos.
Percorri também suas lágrimas
e até delineei seu corpo
(intencionando um retrato
ponto-cruz)
Mas eu...
Não aprendi a bordar.
Me fiz pelo avesso,
Furei o dedo.
Sangrei,
sentir doer
mas ainda assim
tentei te marcar em mim...
Mas não.
Não.
Eu não sei bordar.
Te faltou paciência
aos meus erros infantis.
Você cansou.
Guardei a linha e a agulha.
Nunca mais os teus tecidos.
Nunca mais os teus traços.
Sem mais tentativas.
Mas eu?
Eu que não aprendi a bordar,
não sei como desfazer teus nós...
Edição de janeiro 2025
Há 2 meses